Com o leve pousar das pequenas patas de uma andorinha na janela, acordou naquela manhã. A brisa entrava sem pudor e batia em seu rosto, os primeiros raios de sol começavam a iluminar os olhos que, na noite que antecedera, chorou por muitas horas. Aliás, a essa altura tudo o que o cérebro mais desejava era esquecer a noite anterior. A algum tempo já estavam juntos. Os momentos em que passavam lado a lado eram únicos. Ele havia novamente aprendido o significado da palavra amor e estava vivendo-o intensamente... De todas as formas... Livre... Verdadeiramente. Já nem se lembrava mais de quanto havia sofrido em seu relacionamento anterior e pedia aos céus com a força de vida que havia dentro de seu ser, que aquele momento durasse para sempre, que fosse eterno, que fosse ... Para sempre. Mal sabia ele que todo "para sempre" sempre acaba. A notícia de que seu amor, a pessoa que o tinha colocado novamente em pé e que agora estava segurando sua mão, teria que ir embora, partiu-lhe o coração como uma flecha que acerta em cheio seu alvo. Passariam juntos por apenas mais dezessete dias e ao findar desse prazo, mais uma vez ele teria que aguentar ver o "para sempre" que idealizara ser rompido pela sorte e vontade do destino que a todos causa da forma que bem quer sem ter o mínimo de preocupação com a ferida que irá causar. Aqueles dias passaram tão rápido quanto o ataque de uma ave de rapina. O choro era comum entre os dois, que só de se olharem já sabiam o quanto iriam sofrer por terem que se separar. Findo o prazo, já não tinha mais remédio que curasse a dor que ambos sentiam. Com as malas feitas, era hora de embarcar. "Voo com destino à Londres, dirijam-se ao saguão para o embarque", avisou a voz que agora ecoava pelo aeroporto. O último olhar. O último toque. O último "eu te amo". O último beijo. A última vez que ambos os corações se encontravam num ritmo único e sem ter forças para soltar uma palavra sequer, as lágrimas contemplavam o momento e sem precisar do movimento de nenhum músculo dos lábios, elas diziam tudo. A porta do avião fecha-se e em questão de minutos já está longe... Muito longe... Pelas janelas de vidro do aeroporto ele observava as luzinhas brilharem no céu, até que sumiram por completo.
Thiago Fontinelly'
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